Crônica Jurídica

25/07/2026
Autor: Renata Soltanovitch
O magistrado e seus cães
Crônica jurídica

Naquele fim de noite, o juiz estava exausto como nunca. Havia presidido um interrogatório em que o acusado, sorrindo, confirmara a morte das crianças. A crueldade foi tão intensa que o próprio defensor, nomeado pelo convênio da OAB, precisou levantar-se para vomitar na lixeira. A promotora, por sua vez, interrompeu a audiência, incapaz de suportar o relato.


Após tudo isso, para evitar nulidades, o magistrado decidiu manter o réu no cárcere, mas determinou que passasse por perícia psiquiátrica. Justificou que, quanto mais conhecia o ser humano, mais preferia a companhia de seus cães. E concluiu o despacho citando Dostoiévski: “O criminoso, no momento em que pratica o seu crime, é sempre um doente.”