Crônica Jurídica

22/08/2026
Autor: Renata Soltanovitch
O Juiz mesquinho
Crônica jurídica

Todo dia aquele magistrado chegava cedo ao Tribunal e era o último a sair. Cuidava de cada caso com dedicação. Era estudioso. Sonhara a vida inteira com aquela carreira. Ingressara na magistratura já depois dos 50 anos e sentia orgulho disso. Passara quase duas décadas estudando.


Mas, com o advento da inteligência artificial, parecia que os advogados haviam desaprendido a advogar. Já não havia especialistas: bastava usar uma ferramenta para redigir qualquer peça processual. Quando o juiz percebia que se tratava de uma lide predatória ou de uma elaboração feita por IA, simplesmente reduzia as verbas sucumbenciais, fundamentando na baixa complexidade da demanda.


Foi assim que ganhou fama de juiz mesquinho. E, como gostava de repetir, parafraseando Machado de Assis: “Reúno em mim mesmo a teoria e a prática.”