Crônica Jurídica
A jovem advogada, recém-formada, estava radiante ao participar da solenidade de entrega da carteira da OAB em sua subseção. Com o certificado em uma mão e a carteira profissional na outra, correu para mostrar à avó, sua maior incentivadora nos estudos. Foi justamente ela quem lhe apresentou o primeiro cliente: o vizinho, vítima de uma cobrança indevida de uma operadora de telefonia, embora jamais tivesse possuído um celular.
A ação foi proposta, mas o juiz, sem se deter na leitura da petição, extinguiu o processo. O cliente, aflito, via seu nome mantido no cadastro de inadimplentes por uma dívida inexistente.
Inconformada, a doutora advogada redigiu embargos de declaração e buscou despachar com o magistrado. Este, ausente — já que comparecia ao Fórum apenas às quartas-feiras e mediante agendamento — fez-se representar por sua atenciosa assistente, que prometeu transmitir o recado.
Mal havia a advogada chegado em casa, recebeu a notícia: seus embargos haviam sido acolhidos, a liminar concedida e o vizinho de sua avó finalmente liberto da cobrança indevida.
Foi assim que ela aprendeu sua primeira lição na advocacia: como disse Machado de Assis, “Sem ideia fixa não se faz nada bom neste mundo.”
