Artigo
Lá estava o doutor advogado, convencido de ser o máximo. Terno francês bem cortado, gravata cara, sapato engraxado. Decidiu ostentar nas redes sociais sua viagem para Paris. Ah, Paris! Quem nunca sonhou em ir para lá? Já dizia um certo Ministro: “Sempre teremos Paris”.
Queria mostrar a clientes e alunos o quanto era bem-sucedido na advocacia, vendendo cursos de como enriquecer e fechar contratos de muitos dígitos. Na verdade, só ele lucrava, mas sabia vender. O sucesso, dizia, era para quem fosse esperto. E lá estava, em Paris, exibindo cada detalhe.
Alugou uma Lamborghini e percorreu a cidade inteira. Em cada trajeto, fotos e vídeos. Falava sobre direito, aprofundava temas, gravava aulas diante de monumentos históricos. Mas exagerou na publicidade. Vendia seu curso como se fosse único. Apresentava-se como o melhor advogado.
No fim da viagem, prestes a voltar à realidade, recebeu uma notificação do Tribunal de Ética. O endereço cadastral ainda era o do escritório da antiga namorada, que, entre gargalhadas, lhe disse:
— Querido, espero que tenha curtido Paris, porque agora terá de se defender por publicidade imoderada.
Foi nesse instante que percebeu: Paris podia ser eterna, mas sua fama digital não seria. O brilho da Torre Eiffel não iluminava suas condutas, e a Champs-Élysées não oferecia atalhos para escapar das regras da profissão.
De repente, o advogado que se dizia infalível estava diante daquilo que nunca ensinara: as regras do Código de Ética. E assim, entre risos da ex-namorada e a fria notificação do Tribunal, Paris transformou-se em silêncio constrangido e na lembrança de que a advocacia não se constrói com ostentação, mas com ética.
