Crônica Jurídica
Se “os poetas são um tanto profetas”, como diria Machado de Assis, não seria exagero afirmar que o cliente ultrapassou os limites da razoabilidade. Questionava cada conduta de seu defensor, recorrendo ao ChatGPT como se fosse oráculo jurídico.
Diante disso, o defensor dativo nomeado pela OAB requereu ao juiz sua liberação do processo: já não suportava ver suas estratégias confrontadas por alguém sem qualquer formação na área.
Sensível aos fatos, o magistrado acolheu o pedido e determinou que o autor, em cinco anos, concluísse a faculdade de Direito, fosse aprovado no exame da Ordem e assumisse a própria causa. Até lá, o processo permaneceria suspenso.
Inconformado, o cliente continuou a buscar auxílio na inteligência artificial e chegou a interpor recurso. Contudo, sem preparo técnico para verificar a consistência das informações, deixou-se enganar pelas alucinações da máquina, que citava leis revogadas e jurisprudências inexistentes.
No fim, a lição foi dura, mas clara: não há atalhos para o conhecimento. É melhor estudar até para saber conferir!
