Crônica Jurídica
A doutora advogada estava motivada após participar daquela mentoria que prometia ensinar a ganhar milhões de reais por ano. Ela acreditou que era capaz. Montou um escritório com alguns amigos, investiu em patrocínio de posts, contratou uma agência de publicidade e produziu dezenas de vídeos na sua área de especialização. Tudo parecia ir muito bem: clientes batendo à porta, honorários entrando no caixa.
Até que, um dia, após concluir um curso sobre inteligência artificial, decidiu incluir em uma petição inicial de cobrança — que envolvia alguns milhares de euros — um “prompt invisível” com texto em fonte branca sobre fundo branco, invisível ao olho humano. O objetivo era enganar não apenas o advogado adversário, mas principalmente o judiciário, já que havia uma tutela provisória de urgência que precisava ser concedida a qualquer custo.
No entanto, o magistrado, que também fazia uso de inteligência artificial, constatou a fraude. Para punir a causídica, marcou audiência para ouvir a parte autora antes de apreciar a liminar. Foi nessa audiência que confrontou a doutora advogada que, pressionada, confessou o malfeito. Resultado: processo extinto, multa por litigância de má-fé ao cliente e à advogada, em caráter solidário. Como se não bastasse, ofício à OAB.
Envergonhada, a advogada aprendeu uma lição: “Felizes os que sabem o caminho reto da vida e nunca se arredaram dele”, como dizia Machado de Assis.
