Crônica Jurídica
O advogado havia estudado minuciosamente o perfil da juíza antes de se dirigir ao Fórum para despachar um pedido de liminar. Sabia que ela era reconhecida por sua humanidade e se surpreendeu ao descobrir que também era estudiosa do espiritismo e médium — ainda que exercesse essa função com extrema discrição, conhecida por poucos. Mas o advogado sabia, e foi justamente com essa insinuação que tentou conduzir sua argumentação.
A juíza ouviu atentamente o causídico, embora se irritasse intimamente com suas palavras. Ao final, indeferiu a liminar por ausência de indícios consistentes que sustentassem as alegações. Fundamentou sua decisão afirmando não possuir bola de cristal e encerrou o despacho citando Victor Hugo: “Ser bom é fácil. O difícil é ser justo.” Para ser justa, explicou, é necessário ter, no mínimo, índicos de provas. Afinal, somos doutores em julgar; e, sem evidências apresentadas pelo autor, torna-se impossível adivinhar o direito que ele pleiteia.
