Crônica Jurídica
O equilíbrio emocional é um dos grandes pilares da vida. Contudo, em julgamentos com júri, onde emoções transbordam e lembranças de filmes hollywoodianos se misturam, a realidade se mostra bem diferente.
Foi em um desses embates que a advogada, ao expor sua tese, lançou um beijo ao promotor — gesto sem qualquer intenção pejorativa. Este, já demonstrando preconceito misógino e desrespeito à causídica, respondeu em alto e bom som ao policial ao seu lado: dispensava o beijo daquela “mulher feia”.
O plenário silenciou.
O que poderia ser apenas um debate jurídico transformou-se em crise. As juradas, cuidadosamente escolhidas pelo parquet, levantaram-se e declararam à juíza que não permaneceriam em um julgamento marcado por preconceito. Pediram, então, autorização para que fosse designada nova data.
Pela primeira vez, a juíza se viu diante da necessidade de cancelar o júri. Aborrecida com a atitude do promotor, encerrou a sessão para evitar maiores problemas e recordou uma frase de Machado de Assis: “Nem todas as almas podem encarar as grandes crises. Quer-se um espírito robusto para estas situações complexas.”
