Crônica Jurídica
O plano de saúde insistia em negar ao jovem advogado recém-formado o acesso ao único remédio capaz de aliviar suas dores. Mês após mês, a negativa se repetia, e o causídico, debilitado, mas obstinado, batia à porta do gabinete do juiz para garantir a manutenção da liminar.
Cansado da resistência da empresa, o magistrado decidiu aplicar uma multa severa. Em sua última decisão antes de ser transferido para outra comarca, registrou em tom literário uma advertência: citou Machado de Assis — “ninguém leva dez anos a sarar, ou sara antes ou morre” — e acrescentou que, caso o advogado fosse novamente obrigado a recorrer ao Judiciário, o gestor do plano correria o risco de ter que se valer de um habeas corpus, pois sua prisão seria decretada.
Nos meses seguintes, com a tranquilidade de quem recebe o tratamento assegurado por ordem judicial, o advogado finalmente se curou. Grato aos médicos e à Justiça, compartilhou sua história nas redes sociais, lembrando as palavras de José de Alencar: “a arte da defesa e da vingança, os dois mais fortes estímulos do coração humano.”
