Crônica Jurídica

30/05/2026
Autor: Renata Soltanovitch
A curtida
Crônica jurídica

O promotor era convicto da sua boa fé e da dignidade da profissão. Passara anos dedicado às causas consumeristas, com conhecimento sólido e respeito na área.


Num fim de semana chuvoso, após uma garrafa de vinho que o salário permitia, descansava. Sem luz, só o celular tinha bateria. Navegou distraído pelas redes sociais.


Curtiu alguns comentários sobre condenações de empresas por problemas com consumidores. Havia, porém, um viés político-partidário nos textos.


Foi o bastante. A Corregedoria foi acionada. Os advogados da subseção deixaram de convidá-lo para palestras.


Assim compreendeu Machado de Assis: “Discrição e caras serviçais nem sempre andam juntas.”